sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

¡adios, sophia!

eu gosto de acordar tarde aos domingos e do barulha da chuva, mas eu amei você. eu gosto de comer maçã sem a casca e eu gostava do seu nome antes mesmo de te conhecer, mas eu amei ele em você. minha cor preferida virou a cor dos seus olhos e no meu dicionário azul significa imensidão. você tem pintas nas costas que remetem à uma constelação e deve ser por isso que as estrelas me lembram tanto você. eu gostava muito do seu cabelo ruivo em contraste com a sua pele e eu amei você, cada detalhe de você. aprendi diferenciar os seus sorrisos - sim, você tem mais de um - e chorei quando você chorava porque eu amava você. e mesmo que aqui, agora, em outros lugares, existam pessoas que gostem de dormir até tarde aos domingos ouvindo o barulho da chuva e que eu não exista nem aqui, nem agora, nem jamais, eu ainda amaria você.
eles dizem que tudo bem ser intenso 
e você não deve se culpar jamais
mas eles não disseram, meu bem
que tudo isso dói demais.

2017

acredito muito que a força e a energia dos nossos sentimentos são capazes de mutar como nos vivemos e o que nós absorvermos. 2016 foi um lindo ano, de fato, aconteceram coisas e pessoas que marcaram, ciclos se fecharam para que novos pudessem se abrir, mas e o que vivi? passei a maior parte do ano abalada emocionalmente e questionando - como tantas outras vezes - o motivo de determinadas situações acontecerem, questionando minhas capacidades intelectuais, minha aparência física e minha carga emocional. de fato, foi um ano denso, espesso. daqueles que pesam no seu peito e sufocam. mas está vindo uma nova chance, uma nova oportunidade está para chegar e eu posso fazer diferente. eu quero fazer diferente. eu preciso fazer diferente, por mim. porque eu estou aqui e estou viva e não estou desistindo. estou provando para mim mesma que eu sou capaz de dizer que eu estava me afogando mas agora eu posso finalmente respirar. e existirão os dias ruins, eu sei, eles não somem, mas ao final dos 366 dias eu quero dizer que valeu a pena. porque vai valer.

sábado, 24 de dezembro de 2016

first love never dies

em outros anos eu correria para o telefone para te desejar um feliz natal desejando que você se lembrasse de mim quando o relógio marcasse meia-noite. em outros anos você seria meu pedido natalino e eu esperaria embaixo das luzes estourando no céu que você percebesse que eu sempre estive aqui. em outros anos eu aguardaria um milagre de natal pedindo seu amor embrulhado numa caixinha no pé da árvore. eu acreditei em papai noel e acreditei que poderia amar por nós dois enquanto o seu mundo continuava girando. e que bom que ele gira. existe uma teoria de que o primeiro amor nunca morre, e talvez seja verdade, baby, mas o mundo gira e o seu nunca parou para mim. que o universo te leve todo o amor que eu te dei e que eu receba todo amor que você não soube me dar. feliz natal.

efêmero

eu arrumei minhas malas. mudei de estado. mudei a cor do cabelo. descobri novas músicas preferidas. conheci outras pessoas. me apaixonei outras vinte vezes - só do aeroporto até minha casa. eu quero cortar essa linha imaginária que ainda me prende em você. e assim como um texto da tcd, houve um tempo antes de você e vai existir outro depois. ao longo desses anos eu aprendi que eu posso me apaixonar, eu posso deixar as pessoas entrarem e não temo o tempo que dita o período das suas estadias. mas eu não posso me perder. ao final do dia eu olho o reflexo cansado e doído no espelho, enxergo todas as cicatrizes e todos as outras feridas abertas que ainda vão se curar. eu não posso me perder, digo. e vai doer tantas outras vezes mais, eu sei, eu tô pronta. eu tô aqui. o amor é para quem dá a cara pra bater.

for malu

mesmo que a nossa galáxia colidisse com outra galáxia e nós pudéssemos abrir uma fresta no espaço-tempo da nossa vasta e efêmera existência, eu ainda escolheria viver nesse planeta e nessa época com você.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

relatos

eu dei o melhor de mim porque era tudo que eu tinha para dar. céus, eu dei tudo pra você. eu me declarei às onze da noite naquele sábado em que a gente ficou olhando a lua e tenho plena certeza que todas as escolas de samba do rio de janeiro estavam no meu coração. eu me declarava toda vez que sorria para você e meus olhos brilhavam e você sabia, deus, você sempre soube. eu vivia numa corda bamba enquanto você era equilibrista profissional. eu segurei a corda nesse cabo de guerra até a palma da minha mãe sangrar. e pra quê? só me diz o porquê. você confiou na minha bondade, mas eu não sei brincar de ser o seu troféu. já faz algum tempo que eu soltei a nossa corda e te deixei ganhar o jogo. a altura é boa mas eu ainda não me acostumei com a instabilidade. coloquei um curativo na palma da mão e te digo: vai cicatrizar. eu me libertei de você, tão inesperado quanto me apaixonar, eu tô te deixando ir. espero que você vá bem.

cruel demais

eu leria cada palavra que você escrevesse se elas estivessem em um livro. eu visualizaria inúmeras vezes tuas performances embaixo do chuveiro se elas estivessem disponíveis no youtube. eu compraria o som da tua risada se vendesse no itunes. eu pararia para admirar cada uma de tuas fotos se elas estivessem expostas em uma galeria de arte. eu ficaria encantada com qualquer escultura feita por você com o lixo do teu apartamento se estivessem em um museu contemporâneo. eu compraria o teu cheiro se ele estivesse dentro de um frasquinho numa perfumaria por aí. eu teria te pedido para ficar se eu soubesse que você não voltaria. eu teria implorado pra você deixar sua escova de dentes azul - que combinava com a minha cor-de-rosa -, se eu soubesse que jamais te teria ali de novo. confiei nas nossas idas e vindas como quem acredita na cura para o câncer. e sem saber, o teu sistema imunológico acabou com o vírus da nossa relação contagiosa e eu perdi a batalha. eu te perdi para sempre. como quem perde as esperanças e prefere se arriscar num bote pelo mar Mediterrâneo. você era o outro lado da costa, mas no seu bote imaginário não havia espaço para mim e para as minhas crises existenciais. e você me deixou numa noite de sábado às 2 da manhã e eu me senti como um refugiado que não sabia nadar. morri afogada nas minhas próprias lágrimas enquanto você procurava motivos para me afastar. eu venderia meu orgulho no mercado livre se eu soubesse que seria o suficiente para te trazer de volta pra mim. eu esperaria salvação aqui, no chão frio do meu quarto, se eu soubesse que você voltaria. mas você não volta e nunca vai voltar.

 transformar a vida em arte.